Grêmio x Melhores do Mundo: Pelé (1956/1977)

No caminho das glórias imortais do Grêmio sempre estiveram grandes desafios, clubes e jogadores adversários, que elevaram e engrandeceram as conquistas gremistas. Afinal, que graça teriam os títulos e vitórias se não ocorressem no mais alto nível? Do que vale uma Libertadores senão conquistada sobre um timaço uruguaio? E o bi da América sem meter 5 no melhor time do país? Para que vencer campeonato com 11 jogadores em campo se é possível com a imortalidade e apenas 7 guerreiros?

Passagens gloriosas e vitórias improváveis marcaram a história do Grêmio, que muitas vezes teve que superar adversidades únicas, times de maior qualidade e craques mundiais. Neste novo espaço do blog recuperamos as histórias de confrontos do tricolor com os maiores jogadores do mundo, reconhecidamente eleitos pela Bola de Ouro da revista France Football e pela FIFA. O primeiro destes personagens não poderia ser outro senão o maior de todos, o Rei.

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Grêmio x Pelé (1956/1977)

Paradoxalmente Pelé nunca recebeu o prêmio da Bola de Ouro, o que é um absurdo. Simplesmente porque as regras da premiação excluiam jogadores não europeus até 1995. Para se redimir, a France Football simulou, em 2015, as premiações antigas com as regras atuais (sem limites de nacionalidade) e o resultado foi que Pelé venceria o prêmio 7 vezes, se tornando o maior vencedor da história. Em compensação Pelé sempre foi reconhecido como o maior jogador de todos e oficialmente recebeu, em 2000, o prêmio de Melhor Jogador do Século XX, da FIFA, numa forma de reparar a falta de prêmios de melhor jogador do ano, que não existiam na época do rei.

Mas a falta destes prêmios não tira de Pelé as façanhas de ter marcado mais de 1.200 gols e ter vencido 3 Copas do Mundo, além de conquistar 2 Mundiais Interclubes, 2 Libertadores, 5 Taças Brasil, 1 Robertão, 10 paulistas (em 19 disputados), entre outros campeonatos. O atacante era um monstro em termos de resultados, desde o início da precoce carreira, e amedrontava os adversários com suas arrancadas e dribles. Foi responsável por criar a hegemonia do Santos no início da década de 60, justamente na época que ocorreram os primeiros confrontos do clube paulista com o Grêmio e o início da integração do futebol brasileiro.

Ao todo Pelé cruzou o caminho do Grêmio por 15 vezes, jogando pelo Santos no período de 1957 a 1974, e marcou impressionantes 10 gols no tricolor. Porém, ao contrário do que se possa imaginar, a simples presença de Pelé não era garantia de vitória frente ao Grêmio e estes confrontos amistosos ou válidos pelo Brasileiro (na época Taça Brasil e Robertão) tiveram enorme equilíbrio:

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12/03/1957 – Amistoso – Grêmio 3 x 2 Santos

A estreia gremista contra Pelé ocorreu no Olímpico, em dois amistosos que faziam parte da excursão do Santos pelo RS, em 1957. Na época, recém com 16 anos, Pelé não era ainda o craque do time e dava apenas os passos iniciais na carreira, entrando nos dois jogos de exibição no segundo tempo. O destaque do Santos era Jair Rosa Pinto, integrante da Seleção da Copa de 1950. No ótimo Grêmio de Foguinho a atração era a estreia do meia Hélvio, contratado junto ao Novo Hamburgo, além dos craques Gessy e Juarez, autores de 2 gols que deram a vitória ao tricolor.

GRÊMIO: Germinaro, Figueiró, Airton, Hélio, Ênio Rodrigues e Nadir (Elton), Hercílio, Gessy, Juarez, Milton Kuelle e Vieira
Técnico: Oswaldo Rolla

SANTOS: Manga, Fiotti, Hélvio (Cássio) e Wilson, Urubatão e Feijó, Alfredinho (Dorval), Jair, Pagão, Del Vecchio (Pelé) e Tite
Técnico: Lula

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Renda: Cr$ 233.620,00
Árbitro: João Etzel (SP)
Auxiliares: Guilherme Sroka (RS) e Hélio Mesquita (RS)
Gols Grêmio: Gessy (6’/1ºT), Juarez (21’/2ºT) e Milton Kuelle (37’/2ºT)
Gols Santos: Del Vecchio (35’/1ºT) e Jair Rosa Pinto (35’/2ºT)

14/03/1957 – Amistoso – Grêmio 0 x 5 Santos

Dois dias depois o Santos teve a oportunidade de revanche, na partida que marcava a colocação das faixas de Campeão Gaúcho 1956 no Grêmio. O Santos colocou as faixas e ainda mais 5 gols no tricolor, no que se tornou a maior goleada sofrida pelo Grêmio no confronto. O Santos cogitou propor uma 3ª partida para finalizar a excursão pelo RS, mas, por faltas de datas, a “negra” não foi possível.

GRÊMIO: Germinaro (Onete), Figueiró, Airton, Hélio, Ênio Rodrigues e Nadir, Hercílio (Vi), Gessy (Cabeça), Juarez, Milton Kuelle e Vieira (Flávio)
Técnico: Oswaldo Rolla

SANTOS: Manga, Feijó, Hélvio (Wilson) e Ivan, Ramiro (Fiotti) e Urubatão, Dorval, Jair (Pelé), Pagão, Del Vecchio (Vasconcelos) e Tite
Técnico: Lula

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Renda: Cr$ 280.020,00
Árbitro: João Etzel (SP)
Auxiliares: Guilherme Sroka (RS) e Hélio Mesquita (RS)
Gols Santos: Del Vecchio (2), Feijó, Pagão e Tite

28/09/1958 – Amistoso – Grêmio 4 x 0 Santos

Pelé retornaria ao RS já como Campeão do Mundo e destaque da Seleção de 1958 para uma nova rodada de amistosos do Santos pelo estado. O time santista tinha, ao lado do Rei, outros dois campeões mundiais, Zito e Pepe, e desembarcou em Porto Alegre como a grande sensação para dois amistosos locais, contra Inter e Grêmio.

Após sofrer uma goleada de 5 x 1 para os colorados o time paulista via no Grêmio a chance de recuperação, porém, quem brilhou foram os craques gremistas. A esquadra do Foguinho, mais determinada a mostrar seu valor, amassou o Santos com Juarez, Milton Kuelle e principalmente Gessy, comandante do show gremista. Esta era a maior goleada do Grêmio no confronto, antes dos 5 x 1 aplicados em 2018. Pelé acabou expulso do jogo (assim como Álvaro), por reclamação com o juiz.

GRÊMIO: Germinaro; Orlando (Figueiró), Aírton e Mourão; Elton (La Guardia) e Léo; Vieira, Gessy, Juarez, Milton (Darci) e Rudimar (Alfredinho) Rudimar (Juarez), Milton Kuelle (Darci) e Juarez
Técnico: Oswaldo Rolla

SANTOS: Manga; Dalmo (Zezinho), Getúlio e Fiotti; Zito e Álvaro (Cortez); Hélio, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe(Guerra)
Técnico: Lula

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público: 15.000
Renda: Cr$ 557.990,00
Árbitro: Miguel Comesaña (ARG)
Auxiliares: Guilherme Sroka (RS) e Ivaldo Mench (RS)
Cartões vermelhos: Pelé (SAN, 26’/2ºT) e Álvaro (SAN, 30’/2ºT)
Gols Grêmio: Juarez (13’/1ºT), Gessy (33’/1ºT e 5’/2ºT) e Mílton Kuelle (36’/2ºT)

17/11/1959 – Taça Brasil (semifinais) – Santos 4 x 1 Grêmio

Os confrontos seguintes contra Pelé foram pelas semifinais da Taça Brasil 1959, a primeira edição do campeonato Brasileiro, que reunia 16 campeões estaduais. O Grêmio fazia boa campanha e havia eliminado Atlético-PR e Atlético-MG, vencendo os 4 jogos das fases anteriores. Nas semifinais ocorreriam os primeiros jogos oficiais entre Grêmio e Santos e a estreia tricolor na Vila Belmiro.

Na primeira partida, em Santos, o Grêmio sofreu com lesões e não foi páreo para o time de Pelé. No final do primeiro tempo Juarez machucou-se e teve de dar lugar a Vieira. Logo no início do segundo o tricolor perdeu também Giovani e ficou com 10 em campo, o que minou as chances de uma recuperação gremista.

SANTOS: Manga; Pavão e Mourão; Getúlio, Urubatão e Formiga; Dorval, Jair Rosa Pinto, Coutinho, Pelé e Pepe
Técnico: Lula

GRÊMIO: Henrique; Orlando, Airton, Calvet e Ortunho; Élton e Milton Kuelle; Giovani, Gessy, João Cardoso e Juarez (Vieira)
Técnco: Oswaldo Rolla

Estádio Vila Belmiro, Santos
Renda: Cr$ 668.550,00
Árbitro: Alberto da Gama Malcher (RJ)
Gol Grêmio: Gessy (15’/2ºT)
Gols Santos: Jair Rosa Pinto (25′ e 31’/1ºT), Coutinho (37’/2ºT) e Urubatão (44’/2ºT)

17/11/1959 – Taça Brasil (semifinais) – Grêmio 0 x 0 Santos

No jogo da volta, em Porto Alegre, o Grêmio precisava da vitória para forçar um terceiro jogo de desempate, que seria disputado também no Olímpico. As notícias antes da partida davam conta de que Pelé, Zito e Jair não enfrentariam o Grêmio e a esperança gremista era grande, por contar com seu ataque completo. Porém, o Santos jogou completo e suportou a pressão, com destaque para a grande atuação do goleiro Manga, que segurou o empate sem gols. Na final, o Santos perdeu o título inaugural da Taça Brasil para o Bahia.

GRÊMIO: Henrique; Orlando, Airton, Calvet e Ortunho; Élton e Milton Kuelle; Volney, Gessy, Juarez e Vieira
Técnco: Oswaldo Rolla

SANTOS: Manga; Pavão e Mourão; Dalmo, Zito e Formiga; Dorval, Urubatão, Coutinho (Agnaldo), Pelé e Pepe
Técnico: Lula

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Renda: Cr$ 1.109.650,00
Árbitro: Cláudio Magalhães (RJ)
Auxiliares: Flávio Cavedini (RS) e Jorge Piveta (RS)

16/01/1964 – Taça Brasil (semifinais) – Grêmio 1 x 3 Santos

Os dois clubes viviam nas décadas de 50 e 60 suas hegemonias regionais e eram invariavelmente os participantes de seus estados na Taça Brasil. Enquanto o Grêmio mandava no RS, com o time base campeão dos 12 em 13 estaduais, o Santos de Pelé assombrava o mundo, após ser Bicampeão da Libertadores 62/63 (venceu o Boca Juniors nos dois jogos) e Bicampeão do Mundo 62/63 (venceu o Milan na melhor de 3 jogos). Além disso o clube paulista viajava a Porto Alegre, em 1964, para defender o título de Bicampeão da Taça Brasil 62/63, na partida que era tratada como a maior já vista no Rio Grande do Sul.

A campanha da Taça Brasil se arrastou de 1963 até o início de 1964 e o Grêmio já havia eliminado o Metropol (SC) e o Atlético-MG na fase regional. O time treinado por Carlos Froner já não contava com os craques Gessy e Juarez e via em Joãozinho Severiano o representante de uma nova geração gremista.

Jogando com a força do Olímpico lotado o Grêmio se superou e saiu na frente do placar, apesar da qualidade do adversário. Resistiu bravamente até a metade do segundo tempo, quando a dupla Pelé e Coutinho passou a infernizar a defesa gremista. Coutinho marcou duas vezes e virou o placar, enquanto que Pelé marcou o seu 1º gol contra o Grêmio.

GRÊMIO: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton Kuelle; Marino (Madureira), Joãozinho Severiano, Paulo Lumumba e Vieira
Técnico: Carlos Froner

SANTOS: Gilmar; Dalmo, João Carlos e Geraldino; Haroldo e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Batista
Técnico: Lula

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público: 45.000
Renda: Cr$ 21.327.000,00
Árbitro: Eunápio de Queiros (RJ)
Auxiliares: Teodoro Nitti (ARG) e Ricardo Alberto Silva (ARG)
Gol Grêmio: Paulo Lumumba (6’/1ºT)
Gols Santos: Coutinho (25’/1ºT e 25’/2ºT) e Pelé (31’/2ºT)

19/01/1964 – Taça Brasil (semifinais) – Santos 4 x 3 Grêmio

Apenas 3 dias depois, no jogo da volta, o Grêmio precisava da vitória e mostrou enorme superação, numa das partidas mais malucas da história do confronto. O tricolor virou a desvantagem no placar e abriu 3 x 1 antes dos 15 minutos iniciais do jogo, dando a impressão de que a classificação era possível. Mas aí apareceu toda a genialidade de Pelé, decisivo no ataque e também na defesa. O rei marcou 3 vezes e virou outra vez o placar para garantir a passagem do Santos rumo ao tri nacional. No final do jogo, o goleiro Gilmar foi expulso por reclamar do juiz e Pelé assumiu seu lugar no gol santista.

SANTOS: Gilmar (Pelé); Dalmo, João Carlos (Joel) e Geraldino; Haroldo e Zito; Batista, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe
Técnico: Lula

GRÊMIO: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton Kuelle; Marino, Joãozinho Severiano, Paulo Lumumba e Vieira
Técnico: Carlos Froner

Estádio Vila Belmiro, Santos
Renda: Cr$ 11.931.500,00
Árbitro: Teodoro Nitti (ARG)
Auxilaires: Eunápio de Queiros (RJ) e Romualdo Arppi Filho (SP)
Cartão vermelho: Gilmar (SAN, 43’/2ºT)
Gols Grêmio: Paulo Lumumba (9′ e 11’/1ºT) e Marino (14’/1ºT)
Gols Santos: Pepe (6’/1ºT) e Pelé (pênalti 30’/1ºT, 13’/2ºT e pênalti 40’/2ºT)

Joãozinho Severiano contra o goleiro Pelé, em 1964

12/03/1967 – Roberto Gomes Pedrosa – Grêmio 1 x 1 Santos

Em 1967 houve a 1ª edição do campeonato Brasileiro fora do sistema mata-mata, o Roberto Gomes Pedrosa ou Robertão, que foi disputado entre clubes paulistas, cariocas, mineiros, gaúchos e paranaenses, divididos em 2 grupos. O Grêmio caiu no mesmo grupo do Santos e pela 2ª rodada os clubes se enfrentaram no Olímpico.

Apesar de contar com Pelé em grande fase o Santos passava por uma renovação no time e já não tinha o brilho da equipe de 1963. No lado gremista Froner formava um dos maiores esquadrões já vistos no clube e aproveitava o auge do goleador Alcindo, que dividia com Pelé os holofotes do confronto. Não por acaso foram deles os gols do injusto empate, após predomínio gremista e diversas chances de gol desperdiçadas. Pelé marcou um golaço de falta e Alcindo empatou logo em seguida, para delírio de um dos maiores públicos que o Olímpico havia recebido até então.

GRÊMIO: Arlindo; Altemir, Ari Ercílio, Paulo Souza e Everaldo; Áureo, Sérgio Lopes e Paíca (Joãozinho Severiano); Babá, Alcindo e Volmir
Técnico: Carlos Froner

SANTOS: Gilmar; Carlos Alberto, Oberdan e Rildo: Mengálvio e Orlando; Amauri (Copeu), Lima, Toninho, Pelé e Edu
Técnico: Antoninho

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público total: 56.000 (44.283 pagantes)
Renda: NCr$ 95.375,00
Árbitro: Anacleto Pietrobon (SP)
Auxiliares: Flávio Cavedini (RS) e João Carlos Ferrari (RS)
Gol Grêmio: Alcindo (11’/2ºT)
Gol Santos: Pelé (4’/2ºT)

27/11/1968 – Roberto Gomes Pedrosa – Santos 3 x 1 Grêmio

No ano seguinte os clubes voltaram a cair no mesmo grupo do Robertão e se enfrentaram novamente pela 1ª fase. A derrota no gramado encharcado do Palestra Itália, sob intensa chuva, praticamente determinou a desclassificação gremista do Brasileiro e a passagem santista para outro título. Pelé novamente foi o destaque do triunfo sobre o Grêmio, com 1 gol e outra expulsão, por desrespeitar o juiz gaúcho Agomar Martins.

SANTOS: Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho, Pelé e Abel (Manoel Maria)
Técnico: Antoninho

GRÊMIO: Alberto; Renato Silva, Paulo Souza, Áureo e Everaldo; Cleo (Joãozinho Severiano), Jadir e Sergio Lopes; Babá (Leal), Volmir e Loivo
Técnico: Sergio Moacir Torres

Estádio Palestra Itália, São Paulo
Público: 3.487
Renda: NCr$ 20.581,00
Árbitro: Agomar Martins (RS)
Auxiliares: José Clemente de Oliveira (SP) e Emidio de Mesquita (SP)
Cartão vermelho: Pelé (SAN, 25’/2ºT)
Gol Grêmio: Sérgio Lopes (45’/2ºT)
Gols Santos: Carlos Alberto Torres (41’/1ºT), Pelé (6’/2ºT) e Toninho Guerreiro (40’/2ºT)

28/09/1969 – Roberto Gomes Pedrosa – Grêmio 2 x 1 Santos

Após 6 jogos sem vencer o Santos o Grêmio reencontrou a vitória no confronto, pela 4ª rodada do Brasileiro 1969. O Grêmio ainda lutava pelo octacampeonato gaúcho enquanto que no Brasileiro precisava vencer para se reabilitar da derrota anterior, no gre-nal. Já o Santos retornava à Porto Alegre diretamente de uma excursão pela Europa e poupava titulares importantes e selecionáveis como Carlos Alberto, Clodoaldo, Toninho e Edu. O time tinha o cartaz de campeão Brasileiro 1968 e era a base da Seleção que disputava as eliminatórias da Copa do Mundo e que seria tricampeã no México.

Apesar de sair atrás no placar, com um gol habitual de Pelé na primeira etapa, o Grêmio virou o marcador e na etapa final e deu uma banho de bola no Santos. Facilmente a vitória poderia ser ampliada, não fossem as chances de gol desperdiçadas e o pênalti perdido por Alcindo.

GRÊMIO: Arlindo; Valdir Espinosa, Ari Hercílio, Áureo e Everaldo; Jadir, Júlio Amaral e Sergio Lopes (Joãozinho Severiano); Davi, Alcindo e Volmir
Técnico: Sergio Moacir Torres

SANTOS: Gilmar; Lima, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Djalma Dias (Leo) e Nenê; Manoel Maria, Douglas, Pelé e Abel
Técnico: Antoninho

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público: 33.586
Renda: NCr$ 123.099,00
ÁRbitro: Aírton Vieira de Moraes (RJ)
Auxiliares: Agomar Martins (RS) e José Cavalheiro Moraes (RS)
Gols Grêmio: Davi (11’/2ºT) e Júlio Amaral (16’/2ºT)
Gol Santos: Pelé (39’/1ºT)

O gol de Davi que quebrou o jejum sobre o Santos, em 1969 (Foto: Correio do Povo)

02/09/1970 – Amistoso – Grêmio 0 x 2 Santos

Grêmio e Santos não repetiram em 1970 suas glórias anteriores e ambos ficaram longe dos títulos estaduais. O foco do futebol brasileiro estava todo voltado para a Seleção, que apaixonava os torcedores após o tri da Copa do Mundo e contava com 5 jogadores santistas, além da estrela dourada do lateral gremista Everaldo.

Em setembro o Ypiranga de Erechim preparou um torneio amistoso com diversos equipes para inaugurar seu novo estádio, o gigantesco Colosso da Lagoa. No jogo inaugural, a escolha dos times participantes foi óbvia. De um lado o Grêmio de Everaldo e Alcindo, do outro o Santos de Pelé e Carlos Alberto (Edu, Clodoaldo e Joel, os outros campeõs da Copa, não jogaram). O jogo festivo foi marcado por outro gol de Pelé no Grêmio, o número 1.040 da sua carreira e o 1º do estádio de Erechim.

GRÊMIO: Breno; Valdir Espinosa (Ivo), Ari Hercílio, Beto e Jamir (Di); Jadir e Everaldo (Paíca); Flecha (Bebeto), Caio, Alcindo (Paraguaio) e Loivo
Técnico: Carlos Froner

SANTOS: Edvar; Carlos Alberto; Ramos Delgado (Paulo); Djalma Dias e Rildo (Turcão); Léo e Lima (Nenê); Davi, Douglas (Picolé), Pelé e Abel
Técnico: Antoninho

Estádio Colosso da Lagoa, Erechim
Árbitro: Roque José Gallas (RS)
Gols Santos: Pelé (44’/1ºT) e Léo Oliveira (2ºT)

1970.09.02 - Amistoso - Grêmio 0 x 2 Santos - Diário de Notícias - Alcindo e Pelé
A dupla jogaria no Santos em 1972/1973 (Foto: Diário de Notícias)

01/09/1971 – Brasileiro – Grêmio 1 x 0 Santos

Na edição inicial do campeonato Brasileiro, em 1971, os dois clubes se enfrentaram na 7ª rodada e o Grêmio voltou a vencer o time de Pelé. Do lado adversário jogavam o goleiro Cejas e o zagueiro Oberdan, que anos depois defenderiam o Grêmio.

GRÊMIO: Jair, Valdir Espinosa, Ari Ercílio, Chiquinho, Everaldo, Jadir, Gaspar, Flecha, Torino (Chamaco), Scotta e Loivo
Técnico: Otto Martins Glória

SANTOS: Cejas; Orlando, Oberdan, Marçal e Rildo; Léo Oliveira e Dicá, Jáder (Davi), Laírton (Mazinho), Pelé e Edu
Técnico: Mauro Ramos de Oliveira

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público: 49.479
Renda: Cr$ 234.335,00
Árbitro: Arnaldo César Coelho (RJ)
Gol Grêmio: Torino (4’/2ºT)

14/12/1972 – Brasileiro – Santos 0 x 1 Grêmio

O confronto pela 2ª fase do Brasileiro de 1972 foi memorável e representou a 1ª vitória gremista contra o Santos, jogando em São Paulo. Apesar da peleja não ter sido na Vila Belmiro, ela marcou o fim de uma sequência de 4 derrotas seguidas frente ao Santos, como visitante, e deu mostras da imortalidade do clube frente a grandes desafios.

Os paulistas novamente formavam uma seleção de craques, com Carlos Alberto, Clodoaldo, Edu, Jair e Pelé e ainda por cima tinha o reforço da lenda gremista, Alcindo. No lado tricolor restava o esforço de um time limitado, mas guerreiro, do técnico e legenda gremista Milton Kuelle. Os destaques do time eram o argentino Oberti, ao lado de Loivo e do zagueiraço Ancheta.

O Santos foi para cima, pois precisava vencer para manter as chances de classificação à fase final do Brasileiro. Pressionou o Grêmio durante toda a partida e teve a chance de abrir o placar no 1º tempo, quando Arnaldo Cesar Coelho marcou pênalti em Clodoaldo. O capitão do tri, Carlos Alberto, foi para a cobrança e bateu no canto direito, onde o goleiro Picasso se desdobrou para defender e manter o Grêmio no jogo. No final do segundo tempo brilhou a estrela do atacante Oberti e aos 38 minutos ele acertou um chutaço de fora da área, para calar os 70 mil santistas no Pacaembu.

SANTOS: Cláudio; Orlando, Carlos Alberto Torres, Oberdan, Zé Carlos, Clodoaldo, Afonsinho, Jair (Alcindo), Nenê, Pelé e Edu
Técnico: Pepe

GRÊMIO: Picasso; Valdir Espinosa, Ancheta, Beto Bacamarte, Jorge Tabajara, Paulo Sérgio, Carlos Alberto, Carlinhos (Buião), Oberti, Mazinho e Loivo
Técnico: Milton Kuelle

Estádio Pacaembu, São Paulo
Público: 68.961
Renda: Cr$ 505.658,00
Árbitro: Arnaldo César Coelho (RJ)
Gol Grêmio: Oberti (38’/2ºT)

12/12/1973 – Brasileiro – Santos 4 x 0 Grêmio

As duas últimas partidas do Grêmio contra Pelé ocorreram pelo Brasileiro 1973. Na época o Rei, com 33 anos, jogava ainda em grande fase e comandava o melhor ataque do Brasileiro. Na 1ª fase o tricolor voltou ao Pacaembu, já classificado para a fase seguinte, e fez um jogo ruim contra o Peixe. Derrota de 4 x 0 e com dois gols do Rei Pelé, que seriam os seus últimos contra o Grêmio.

SANTOS: Wilson; Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Vicente (Hélio Pires), Zé Carlos (Turcão), Clodoaldo, Brecha, Mazinho, Pelé, Nenê e Edu
Técnico: Pepe

GRÊMIO: Picasso; Cláudio Radar, Ancheta, Renato Cogo, Jorge Tabajara, Carlos Alberto, Paulo Sérgio, Yura (Tarciso), Humberto Ramos (Laírton), Oberti e Bolívar
Técnico: Carlos Frôner

Estádio Pacaembu, São Paulo
Público: 17.246
Renda: Cr$ 144.822,00
Árbitro: Maurílio José Santiago (MG)
Gols Santos: Pelé (falta), Nenê, Pelé (pênalti) e Brecha

27/01/1974 – Brasileiro – Grêmio 1 x 0 Santos

A 2ª fase do Brasileiro 1973 se extendeu até o início de 1974 e Grêmio e Santos caíram novamente no mesmo grupo. Ambos não tiveram sucesso em passar à fase final, mas deram um presente à torcida gaúcha, com a despedida do Rei no Olímpico lotado.

O time gremista se alicerçava na sua ótima defesa, que tinha Ancheta como referência e guardião. Naquela edição do Brasileiro 1973 o Grêmio sofreu apenas 19 gols em 37 jogos, média de 0,51 gols/jogo, números somente superados na história gremista do Brasileiro pela média de gols sofrida em 1974, de 0,46 gols/jogo. Não por acaso Ancheta recebeu o prêmio inédito da Bola de Ouro do campeonato de 1973 (dividido com o goleiro Cejas, adversário santista). O gol gremista na partida foi marcado pelo ponteiro Carlinhos, já no último minuto de jogo.

GRÊMIO: Picasso; Renato Cogo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Humberto Ramos (Carlinhos, 12’/2ºT) e Paulo Sérgio; Mazinho, Tarciso e Loivo
Técnico: Carlos Frôner

SANTOS: Cejas; Carlos Alberto Torres, Marinho Perez, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo e Brecha (Léo Oliveira); Mazinho; Nenê, Pelé e Edu
Técnico: Pepe

Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público: 34.722
Renda: Cr$ 272 768,00
Árbitro: Luís Carlos Félix (RJ)
Gol Grêmio: Carlinhos (45’/2ºT)

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Craques da Copa de 1970 juntos no Olímpico, na despedida de Pelé do RS

A partir de 1975 Pelé foi jogar nos Estados Unidos, pelo New York Cosmos, onde permaneceu até o final de 1977. Marcou mais algumas dezenas de gols e encheu a carteira de dólares, antes da sua aposentadoria. Nunca mais enfrentou o Grêmio.

Em 2013, Pelé revelou que no início da sua carreira poderia ter jogado pelo Grêmio, pois o Santos queria emprestá-lo a algum time para que ganhasse experiência. O relato diz que esta ideia ocorreu após uma excursão do Santos pelo Rio Grande do Sul, o que leva à viagem realizada em 1957, com os primeiros enfrentamentos entre Pelé e Grêmio em 12 e 14 de março. Além do tricolor o Santos enfrentou Rio-Grandense, Pelotas, Brasil de Pelotas, Combinado Guarani/Bagé, Renner e Combinado Juventude/Flamengo nesta passagem pelo RS. Na época o Rei tinha apenas 16 anos e entrou no decorrer dos jogos, com exceção das duas últimas partidas da excursão, quando ganhou a titularidade.

O Santos deve ter repensado a ideia pois visualizou nele uma jóia prestes a estourar, o que se confirmou nos meses seguintes, quando Pelé foi artilheiro do Paulista e ganhou suas primeiras convocações para a Seleção. De qualquer forma, se não foi possível vestí-lo com a tricolor, foi bom tê-lo como adversário.

Os confrontos contra Pelé e o esquadrão santista ajudaram a dar maior visibilidade ao Grêmio e trouxeram lições importantes para o clube, que na época ainda estava muito restrito ao cenário estadual. Os enfrentamentos iniciais a nível nacional elevaram o parâmetro do clube para outros desafios e vencer o Gauchão deixou de ser suficiente. A resposta veio décadas depois, com os títulos nacionais e internacionais, que hoje fazem do Grêmio um campeão mundial, como Pelé.

 

 

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