Imortais Tricolores: Evaristo de Macedo (1990 e 1997)

Evaristo de Macedo é um dos grandes nomes do futebol mundial e, por sorte dos gremistas, está marcado na história do clube. O atacante habilidoso e goleador, começou a carreira pelo Madureira no anos 50, de onde partiu para ser destaque no Flamengo. Em poucos anos chamaria a atenção do Barcelona, onde foi jogar de 1957 a 1962. No clube catalão colecionou recordes e atuações brilhantes, se tornando um dos maiores artilheiros brasileiros (até hoje só fica atrás de Rivaldo), além de ser o primeiro jogador não espanhol a fazer um hat-trick no clássico Barça x Real e um dos privilegiados a jogar no ano de inauguração do Camp Nou. Por não conseguir a liberação do Barça acabou por perder a chance de disputar a Copa de 1958 e ser Campeão Mundial pelo Brasil, ao lado da então novidade Pelé. Nunca mais jogaria pela seleção.

Na Catalunha viu o rival Real Madrid ser pentacampeão da Taça dos Clubes Campeões Europeus (hoje UEFA Champions League), até que em 1960 foi responsável por marcar o gol que eliminaria pela primeira vez os merengues da competição, levando o Barcelona até o vice-campeonato. Curiosamente o Real Madrid seria a sua nova casa a partir de 1962 até 1965, se tornando o primeiro jogador a trocar de lado entre os dois grandes clubes espanhóis. Retornaria ao Brasil para encerrar carreira no Flamengo.

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Evaristo pelo Barcelona contra o Real Madrid (Foto: arquivo Barcelona FC)

Como treinador Evaristo também teve sucesso, com passagens por diversos grandes clubes brasileiros, Barcelona e pelas seleções do Brasil, Iraque e Catar. Porém seu melhor momento viria em 1988, comandando o primeiro e único título brasileiro do Bahia, uma façanha.

A chegada ao Grêmio

Em 1990 Evaristo teria a sua primeira passagem como treinador do Grêmio, para encarar a sua segunda Libertadores seguida, após levar o Bahia às quartas de final em 89. Já o Grêmio, após o título de 83 e o vice de 84, iria para a sua 4ª Libertadores na história, classificado como o campeão da Copa do Brasil 89. Tinha um time bastante qualificado, porém teve de enfrentar um grupo “encardido”, ao lado do Vasco (campeão brasileiro 89), Cerro Porteño (vice-campeão paraguaio 89) e Olimpia (campeão paraguaio 89 e vice da Libertadores 89 e que seria o futuro campeão da América e da Supercopa em 90).

O Grêmio iniciou a temporada apostando no treinador Paulo Sérgio Poletto, que havia se destacado no ano anterior, pelo Ypiranga de Erechim. Apesar do bom início no Gauchão, Poletto não resistiu aos fracos resultados na Libertadores, em especial às duas derrotas no Paraguai, contra Olimpia e Cerro Porteño, quando foi demitido. Como opção o tricolor trouxe então Evaristo, com a missão de buscar uma classificação milagrosa na Libertadores. Sua estreia, entretanto, foi no Gauchão, onde o Grêmio fazia boa campanha. Semanas depois enfrentaria sua primeira decisão, garantindo um título inédito ao Grêmio.

Supercopa do Brasil 1990

Após o sucesso da 1ª Copa do Brasil em 89 (vencida pelo Grêmio), a CBF decidiu criar uma nova competição, a Supercopa do Brasil, que traria o confronto entre os campeões do Brasileiro e da Copa do Brasil. Por falta de datas os confrontos da Libertadores entre Grêmio e Vasco acabaram valendo também para definir o Supercampeão Brasileiro. Na primeira partida, ainda com Poletto no comando, o Grêmio venceu por 2 x 0 no Olímpico, valendo também pela estreia da Libertadores. No jogo da volta, já com Evaristo, o Grêmio segurou o empate contra o Vasco, em São Januário, e conquistou o título inédito da CBF (somente Grêmio e Corinthians têm essa conquista, extinta em 1992). Em campo, o time campeão teve Mazaropi; Alfinete, Hélcio, Luis Eduardo e Vílson; Jandir (João Antônio), Darci (Nando) e Lino; Cuca, Paulo Egídio e Nílson.

Semanas depois, o Grêmio teria os dois confrontos finais pela fase de grupos da Libertadores, contra os clubes paraguaios. Com outros dois empates no Olímpico o tricolor acabou eliminado da Copa, no que marca até hoje a sua pior campanha na competição. Apenas 1 vitória, 3 empates e 2 derrotas, com 5 gols pró e 6 gols contra.

Gauchão 1990

Após a eliminação, Evaristo teve tempo para encontrar seu time ideal na 1ª fase do estadual, conseguindo a classificação na 1ª colocação geral. No quadrangular final, disputado entre Grêmio, Inter, Juventude e Caxias, o tricolor fez uma campanha impecável, sem derrotas, vencendo os dois grenais e conquistando o hexacampeonato gaúcho! Na partida final um chocolate para cima do Inter, 4 x 1 no Olímpico, com direito a um gol memorável de fora da área do Cuca.

Naquele 29/07 o time que foi a campo teve Mazaropi; Fábio, João Marcelo, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir, Cuca e Assis; Darci, Nilson e Paulo Egídio. Seria o último título estadual da sequência que iniciara em 1985, o único título Gaúcho conquistado por Evaristo.

Copa do Brasil 1990

Apenas 4 dias após a conquista do estadual o Grêmio teria o São Paulo pela frente nas oitavas da Copa do Brasil, após passar pelo Joinville na 1ª fase. Com dois empates, por 1 x 1 no Olímpico e 0 x 0 no Morumbi, o Grêmio foi eliminado através do saldo qualificado, mas conseguiu manter a invencibilidade na competição, iniciada em 1989 e que permaneceria até 1992. A primeira derrota na competição ocorreria 1.157 dias após a estreia em 89 ou após 26 jogos (17 vitórias e 9 empates), mais um feito histórico para o maior vencedor de Copas do Brasil.

FUTEBOL - HISTÓRIA DO GRÊMIO
Pela Copa do Brasil 1990 (Foto: Gazeta Press)

Brasileiro 1990

Pelo campeonato nacional Evaristo fez uma campanha brilhante, classificando na 1ª fase como líder, com 9 vitórias, 7 empates e somente 3 derrotas. Logo na estreia, uma vitória acachapante de 3 x 0 sobre o Corinthians (futuro campeão da competição naquele ano), com um hat-trick de Caio. Detalhe para a reforma nas arquibancadas superiores do Olímpico, antes da colocação completa das cadeiras.

Na fase final o Grêmio passou pelo Palmeiras nas quartas, mas acabou eliminado nas semifinais contra o São Paulo de Telê, um embrião do time que dominaria o mundo nos anos seguintes. O São Paulo tinha na época Zetti; Cafu, Antônio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo, Elivélton e Raí; Mário Tilico e Eliel.

Além de enfrentar o ótimo time paulista o Grêmio teve de enfrentar a arbitragem e a CBF, que escalou um árbitro que trabalhava na FPF para a partida do Olímpico. A vitória por 1 x 0 no jogo da volta, em Porto Alegre, com direito a dois pênaltis sonegados a favor do Grêmio, não foi suficiente para reverter a derrota de 2 x 0 do Morumbi e o time acabou na 3ª colocação do Brasileiro.

Supercopa Libertadores 1990

Em paralelo com a 1ª fase do Brasileiro o Grêmio faria dois confrontos contra o Estudiantes pela 1ª fase da Supercopa dos Campeões de Libertadores. A vantagem de 1 x 0 conquistada no jogo de ida, no Olímpico, não foi suficiente para para segurar a pressão em La Plata e o time acabou eliminado pelos Argentinos, após a derrota por 2 x 0. Supercopa definitivamente não era o forte do Grêmio…

A saída de Evaristo e a tragédia de 1991

No término da temporada, Evaristo recebeu uma proposta do Cruzeiro e saiu do Grêmio, que passava na época por uma mudança de direção, após  a eleição de Rafael Bandeira dos Santos. O retorno de Cláudio Duarte seria a proposta para manter as boas jornadas, utilizando a mesma base de time de 90. Mesmo assim, tudo deu errado. Com o calendário invertido, o Brasileiro ocorrendo de fevereiro a junho e o Gauchão de agosto a dezembro, o time sucumbiu aos problemas internos da direção, mudança de treinador e à pressão da torcida, fazendo uma campanha péssima que levou ao rebaixamento do clube. Surpreendentemente, ainda teria forças para passar pela semifinal da Copa do Brasil 91, na semana seguinte ao rebaixamento, perdendo na final para o Criciúma de Felipão.

O retorno para a glória

Evaristo de Macedo retornaria ao Grêmio para viver um momento ainda melhor que na temporada de 90, conquistando seu grande título no clube. O ano de 1997 marcava uma mudança profunda no tricolor, com a saída do grande líder Fábio Koff, após os 4 anos de glória proporcionada aos torcedores. Marcava também a saída de Luiz Felipe Scolari, o treinador que moldou uma cultura de futebol do Grêmio, baseada na união entre aguerrimento e qualidade técnica das suas equipes e que possibilitou a conquista de praticamente tudo o que disputou.

Na presidência do clube assumiria Cacalo, braço direito de Koff, eleito para dar sequência às conquistas. O escolhido para comandar o time seria Evaristo de Macedo, que vinha de uma passagem pelo Atlético-PR. A base de time para enfrentar 97 era praticamente a mesma que conquistara o Brasileiro 96, tendo apenas as perdas de Adílson (vendido ao Júbilo Iwata) e Aílton (emprestado ao Botafogo). Os reforços buscados para a temporada foram o volante Otacílio (Botafogo), o meia Dauri (Marítimo) e os atacantes Maurício Pantera, Marcos Paulo e Jacques, que fariam parte da primeira leva de insucessos na tentativa de Cacalo em encontrar seu novo Jardel.

O clube teria como desafios a disputa da 3ª Libertadores seguida, bem como a tentativa de reconquistar a Copa do Brasil e defender os títulos do Brasileiro e Gauchão.

Copa do Brasil 1997, o tricampeão que cala

O ano iniciou com Gauchão, Copa do Brasil e Libertadores jogadas em paralelo, no que seria uma das maiores maratonas de decisões que o Grêmio já enfrentou. Pela Copa do Brasil a estreia foi contra o Fortaleza, passando por Portuguesa e Vitória, até enfrentar o Corinthians nas semifinais. O jogo de ida, no Morumbi, é talvez o maior exemplo da raça e predestinação do Grêmio nos anos 90. O time conseguiu vencer a partida por 2 x 1, finalizando apenas 1 vez ao gol, tendo o seu goleiro expulso e um pênalti evitado aos 42’/2ºT. Mais imortal que isso é difícil!

Murilo foi escalado para a partida (Danrlei fora expulso contra o Vitória, pelas quartas) e acabou também expulso aos 37’/1ºT, ao fazer falta em Túlio, fora da área. O goleiro Sílvio “pay per view” foi então a campo, no lugar de Rodrigo Gral, deixando Paulo Nunes isolado no ataque. Nos minutos seguintes o time perderia também Dinho, lesionado, para dificultar um pouco mais o já sofrido jogo. Mesmo com todos os problemas foi o Grêmio quem marcou primeiro, em um gol contra do zagueiro Rodrigo. Minutos depois, Paulo Nunes ampliou o placar, para a perplexidade dos paulistas, que eram muito superiores na partida. No fim, Marcelinho diminuiu de falta, porém, desperdiçou o pênalti que poderia dar o empate, chutando na trave. A bola ainda rebateu na mão do goleiro Sílvio, quebrando seu dedo.

Na volta, no Olímpico, a classificação para a final viria com um empate por 1 x 1 e graças aos milagres de Danrlei. Nas finais, o confronto derradeiro contra o clube que projetou ao mundo o então atacante Evaristo de Macedo e que agora tinha como referência o espetacular Romário. Na ida, empate sem gols no Olímpico e destaque para a caça de Dinho sobre Sávio. Na volta, empate heroico aos 35’/2ºT e 100 mil flamenguistas calados no Maracanã. O resto é história e Evaristo é parte dela.

Danrlei; Arce, Rivarola (Luciano), Mauro Galvão (C) e Roger; Otacílio, João Antônio, Emerson e Carlos Miguel; Paulo Nunes (Djair) e Rodrigo Gral (Marcos Paulo). Por acaso, assim como estivera na decisão da Supercopa do Brasil de 1990, João Antônio outra vez seria decisivo, agora ao marcar o golaço que abriu o placar.

“Eu acreditei sempre, porque eu conheço a fibra deles.” (Evaristo, 1997)

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Tricampeão Copa do Brasil 1997

Libertadores 1997, põe na conta do Zagallo!

Pela fase de grupos da Copa o Grêmio enfrentaria o Cruzeiro, além dos peruanos Sporting Cristal e Alianza Lima. Na época, ainda com apenas 5 grupos na fase inicial, a classificação ocorria para os 3 melhores de cada grupo, que juntavam-se ao campeão do ano anterior. Curiosamente do grupo do Grêmio sairiam os finalistas daquele ano. Na estreia, o Grêmio conseguiu uma grande vitória no Mineirão, contra o Cruzeiro, dando bons indícios para uma trajetória tranquila. No Peru, patrolou o Alianza Lima por 4 x 0, mas perdeu para o Sporting Cristal, por 1 x 0. Teria contra o Cruzeiro, no Olímpico, a chance de garantir a classificação para as oitavas e praticamente eliminar um forte concorrente ao título. Porém a derrota em casa daria novo ânimo aos mineiros, embalando o time para o resto da competição.

As vitórias contra os dois peruanos no Olímpico dariam ao tricolor a classificação como líder do grupo, para enfrentar o Guarani do Paraguai nas oitavas. Em um confronto equilibrado, em paralelo com decisões pela Copa do Brasil, o Grêmio penou para se classificar. Na ida, derrota por 2 x 1 em Assunção; na volta, vitória com o mesmo placar. Para decidir, outra vitória por 2 x 1, agora nos pênaltis, e um festival de cobranças erradas.

Nas quartas, o imortal teria novamente o Cruzeiro pela frente, agora já mais embalado e confiante do que na 1ª fase. Para piorar a situação, assim como em 90, o Grêmio seria prejudicado por forças externas. Convocado para a seleção de Zagallo para os Torneios da França e Copa América, Paulo Nunes seria desfalque do time, justamente na grande decisão do ano. Até então Paulo Nunes jamais havia sido convocado e nunca mais seria. Estranhamente o Cruzeiro não teve nenhum convocado, mesmo tendo no time os antes selecionáveis Dida e Ricardinho.

Apenas 5 dias após a conquista do tri da Copa do Brasil, com o time já destruído pela maratona de decisões e sem seu melhor jogador para o jogo no Mineirão, Evaristo teve que improvisar Carlos Miguel no ataque, ao lado de Maurício. No meio-campo, também com o desfalque do lesionado Dinho, teve que escalar Otacílio, Goiano, João Antônio e Emerson, prejudicando a armação ofensiva. Sem Luciano (suspenso) e Rivarola (lesionado), teve que escalar Wagner Fernandes na defesa. O resultado não poderia ser pior, derrota por 2 x 0.

Na volta, uma semana depois, desfalcado novamente de Dinho e Rivarola, além de Carlos Miguel (lesionados), o time não teve forças para reverter a desvantagem. Saiu perdendo e ainda conseguiu a virada por 2 x 1. Com muitos gols perdidos, além do prejuízo no pênalti escandaloso de Ricardinho não marcado por Cláudio Vinícius Cerdeira, o time foi eliminado da Copa.

Talvez a história seria diferente caso o time não tivesse passado pela maratona de jogos decisivos na Copa do Brasil e pudesse contar com Paulo Nunes. Era um título possível naquela Libertadores, em que o Grêmio teria Colo-Colo e Alianza Lima nas fases seguintes…

Gauchão 1997

Em conjunto com a maratona de jogos da Libertadores e Copa do Brasil, o Grêmio fazia uma campanha tranquila no estadual, chegando até as semifinais contra o Brasil-PEL, com apenas 1 derrota em 21 jogos. Após o empate por  1 x 1 em Pelotas, o time não conseguiu fazer a vantagem no Olímpico, sendo prejudicado pela expulsão absurda de Mauro Galvão, e cedeu o empate por 2 x 2, levando aos pênaltis.

Aí aconteceu o inusitado, com a disputa de pênaltis mais extensa da história do Grêmio, de 22 cobranças. No final, vitória tricolor, por 9 x 8, garantindo os gre-nais da final. Curioso é que em 11 cobranças Danrlei não conseguiu defender nenhuma, apesar de ter sido decisivo ao marcar o 8º gol gremista.

Nas finais, o time não conseguiu forças para conquistar o título, prejudicado pela sequência de eliminações da Libertadores e Copa dos Campeões Mundiais, que criaram uma pressão interna para o elenco e treinador. No jogo da ida, na mesma data da final da Copa América e ainda sem Paulo Nunes, o empate por 1 x 1 no Olímpico encaminhou o título ao Inter e o futuro de Evaristo no clube.

O início do declínio e a saída de Evaristo

O fim do 1º semestre de 1997 marcaria também o fim de uma era de vitórias do Grêmio e o desmanche da base do time vencedor dos anos anteriores. Em poucos dias o Grêmio perderia os campeoníssimos Paulo Nunes (vendido ao Benfica), Carlos Miguel (vendido ao Sporting), Emerson (vendido ao Leverkusen), Mauro Galvão (dispensado ao Vasco), Luciano (Standard Liege) e João Antônio (Bahia), além das contratações fracassadas de Maurício Pantera, Marcos Paulo e Paulo Henrique.

Os problemas internos entre a direção e o grupo de jogadores (exemplificado na saída turbulenta de Paulo Nunes), além da pressão da torcida, tornaram o clima do Olímpico pesado e a direção seguiu com a reformulação do elenco. Porém, com demasiadas escolhas erradas, o grupo de jogadores teve uma forte perda de qualidade técnica. Perda que só não foi maior que a das finanças do clube, após absurdos investimentos nos reforços contratados. O maior deles Beto (comprado ao Napoli por R$ 4,6 milhões), seguido por Guilherme (R$ 3,6 milhões ao Rayo Vallecano), Sérgio Manoel (R$ 2,8 ao Cerezo Osaka) e Robert (R$ 1,7 milhões ao Santos), torrando todo o dinheiro recebido pela venda dos ídolos gremistas. Era a farra da gastança liderada pelo agora Presidente e Vice de Futebol, Cacalo, o início da derrocada financeira do clube, que seria anos depois completada por Guerreiro/ISL.

Dentro de campo, Evaristo se desdobrava para remontar o time e fazer campanha no Brasileiro, já sem poder contar com os jogadores vendidos e ainda sem os novos reforços, além de não ter os machucados Danrlei, Dinho e Rivarola. Um jogo em especial resume o momento do clube, ao tomar a goleada de 6 x 0 para o Goiás, no Serra Dourada. Para ilustrar, o time que foi a campo tinha Murilo; Ricardo, Djair, André Santos e Roger; Otacílio, Goiano, Élton Corrêa (Éder) e Gilmar (Rodrigo Gral); Paulo Nunes e Zé Alcino (Cristiano). Um filme de terror, fruto da incompetência da direção em planejar o elenco.

Evaristo seguiu no comando, mesmo pressionado, mas não conseguiu reverter o quadro, atingindo a marca de 12 jogos sem vitórias. A demissão viria após a derrota para a Portuguesa, com a seguinte declaração de Cacalo: “Não havia mais como administrar a ausência de um treinador no banco de reservas. Treinador que fica longe dos jogadores é um treinador pela metade.”

Isso mostra bem o conceito de futebol tosco que tomou conta do clube, onde gritar na beira do gramado valia mais que a qualidade do trabalho do treinador. Não por acaso a escolha para substituir Evaristo seria Hélio dos Anjos, de perfil totalmente contrário. Dias depois ele ficaria marcado pelos 2 x 5 no gre-nal pelo Brasileiro, mostrando que o discurso do “vamo vamo” e a gestão ultrapassada do clube não seriam suficientes.

Apesar da saída conturbada, Evaristo marcou seu nome na história do Grêmio como um dos seus maiores treinadores.

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Títulos pelo Grêmio:

  • Supercampeão Brasileiro 1990
  • Hexacampeão Gaúcho 1990
  • Taça Ironcryl 1997
  • Tricampeão Copa do Brasil 1997

Curiosidade:

  • É o treinador com mais participações em Libertadores – 1990 e 1997 (ao lado de Felipão, Tite e Roger. Renato deve entrar nessa lista em 2017)
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Um comentário sobre “Imortais Tricolores: Evaristo de Macedo (1990 e 1997)

  1. […] Há que e destacar o crescimento da equipe após a eliminação do Gauchão e os 11 dias que Renato teve para treinar. Desde então uma atuação convincente contra o Botafogo e a construção de uma vantagem significativa para a Copa do Brasil. O treinador Renato consegue manter o bm nível mesmo sem contar com os então titulares Bolaños, Maicon, Edílson, Marcelo Oliveira e Douglas. Além da boa fase dentro de campo Renato se consolida nos números como treinador gremista, agora superando Tite em aparições pela Copa do Brasil e a um jogo de empatar com Cláudio Duarte e Evaristo de Macedo. […]

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